O cenário é o mesmo, repetido em dezenas de filmes de Hollywood. A história começa em um colégio, repleto de adolescentes. Mal saídos da infância, aos treze anos de idade, Ele e Ela se conhecem. É o primeiro namoro dos dois. E naquele universo onde tudo é novidade, o jovem e precoce casal faz juras de amor eterno. Coisa de criança, sabe?
Quantos de nós poderiam ser protagonistas do enredo acima? Praticamente todo mundo, né? O fim dessa história, entretanto, é bem diferente da minha, da sua, e da maioria daqueles que conhecemos. Afinal de contas, quando o assunto é a juventude moderna, quantas pessoas você conhece que se casaram com o primeiro namorado?
Conheci a nossa Guest Blogger na faculdade de jornalismo, há nove anos. Naquela época, ela já era veterana no assunto namoro de longa duração (e que fofos sempre foram os dois juntos!) De lá para cá, tive o privilégio de ver seu amadurecimento profissional e estar presente no tão sonhado casamento: com aquele menino que conheceu tão novinha… após um namoro que durou 10 anos!
É ou não é história de filme? =)
Agora, minha amiga vive mais um momento mágico… Acaba de saber que vai ser Mãe! E é sobre essa descoberta que ela vai falar aqui.
Com vocês, a nossa Guest Blogger de hoje: Paula Groba!

Foi numa manhã de domingo, depois de uma noite de boas risadas, que eu e Paulinho soubemos da gravidez. Acordei de manhã cedo, por volta de 8h30, e fui logo fazer o exame de farmácia. Havia comprado o teste após sentir os seios inchados, perceber o atraso de dois dias na menstruação, e observar os meus batimentos acelerados depois de um treino na academia.
Pra mim era certo: estava grávida. Nunca a minha menstruação havia atrasado. E, definitivamente, algo estava diferente. Foi duro conter a minha afobação e esperar até o terceiro dia de atraso.
Chegou a hora de fazer o tal teste da farmácia (comprei logo o mais caro, o melhor segundo a vendedora). Tranquei a porta do banheiro e comecei a fazer xixi na área demarcada. Na medida em que a fita ia ficando rosa, meu coração acelerava mais. Então logo apareceram as tão esperadas faixas azuis indicando o resultado positivo…
Acho que falei “Meu Deus” mais de 10 vezes em menos de 5 segundos! Uma mistura de alegria, ansiedade, agradecimento, medo e vontade de chorar invadia a minha cabeça. Não sabia se acordava o Paulo, ou se o deixava ver o exame em cima da pia. Resolvi deitar de novo e me embrulhar… sei lá, uma ideia maluca de tentar ficar calma. Vã tentativa. Logo me levantei e saí do quarto de fininho. Antes, porém, peguei papel e caneta e escrevi “Parabéns, Papai! Estou a caminho!”
Deixei o recadinho em cima do exame, no banheiro. Daí peguei o telefone e disparei telefonemas e mensagens! Ao ligar pra minha mãe, a voz não saía! Um “Parabéns Vovó” inaugurou a nossa alegria e uma série de lágrimas. Até aquele momento, nada do Paulinho acordar… Ao ligar pra Mari, ela pediu logo: “Acorda esse menino!!!” Foi quando tomei coragem e me dirigi ao quarto.

As lágrimas desciam seguidamente quando passei a mão na cabeça dele para acordá-lo: “Você vai ser Papai!!!” Meio acordado, meio dormindo, ele levantou a cabeça e começou a perguntar para confirmar se não era um sonho: “Já fez? Deu certo? Deu certo???” A emoção foi imensa! Depois de vários telefonemas, várias lágrimas e muita alegria, a gente foi comemorar a nova vida com os nossos pais, e, mais tarde, com os amigos. Ao me arrumar, uma dúvida ingênua: “Será que Mãe usa tênis?”
O que posso dizer de tudo isso? Sinto que nos tornamos Mãe no exato momento em que o resultado do teste dá positivo. Antes de engravidar, ficava pensando como seria essa sensacão de estar grávida, e sinceramente não tinha ideia de que seria tão boa, tão especial.
É impressionante como Deus é perfeito mesmo. Assim que descobrimos a gravidez, começamos a pensar diferente, tendo mais cuidados com o corpo, mais carinho. Uma calma domina o nosso jeito. Tudo para deixar o bebezinho bem tranquilo e saudável. O jeito de dormir, o que comer, o que fazer… tudo é avaliado antes. Essa é a coisa mais linda da vida: o instinto materno. Já desde o início a gente se transforma em seres superprotetores, verdadeiras barreiras contra qualquer coisa que possa prejudicar nossa cria. Na hora do banho, fico fazendo carinho na minha barriga, imaginando que uma sementinha está crescendo dentro de mim… e tantas transformações vão acontecer até essa sementinha virar um bebezão!
Nessa jornada que está apenas começando, um dos momentos mais emocionantes foi a primeira ecografia. Quando vimos pela primeira vez nosso filhote tão pequenininho e já com os batimentos cardíacos a todo vapor, nos derretemos! Paulinho segurou firme a minha mão e as lágrimas caíam a cada imagem, a cada batida do coração avisando que há uma vida crescendo em mim. O primeiro contato com o filho é mágico! Parece que naquele momento nosso amor e responsabilidade são reafirmados. Fomos pra casa como que deslizando, nas nuvens. “É real! Meu bebê está aqui!”, pensei, toda boba.
Estou muito mais feliz. Me sinto abençoada por ter a chance de gerar um neném, uma alma que vai completar nossas vidas. E é por causa dessa felicidade, dessa benção, que temos tanto cuidado com a saúde. Já começo a observar mudanças que a gravidez vai trazendo para o meu dia-dia. É claro que os medos também fazem parte, afinal, qual é a Mãe que não tem medo de que algo de ruim aconteça com o seu filho? Então, o que toda Mamãe também pede é “que a nossa jornada seja abençoada”.

É assim que começa a linda história de amor entre Mãe e Filho.
Com carinho,
Paulinha.
Gravidez é uma coisa engraçada. Quando a gente descobre que vai ter um bebê, junto com a notícia vem aquela enxurrada de comentários do tipo: “olha, se você passar a comer lentilha não vai enjoar de jeito nenhum”; ou então “pela sua barriga, certeza que são gêmeos!”
O tempo passa, as latas de lentilha se acumulam na despensa e você continua enjoando 24 horas por dia. E a barriga que estava carregando gêmeos, na verdade, era só de um menino mais gordinho…
O fato é que em se tratando de gravidez, A REGRA É NÃO TER REGRA. O que foi bom pra mim pode não ser para você, e nada é 100% garantido.
Quer dizer… garantido mesmo é só o fato de que TODA MULHER, quando grávida, SÓ SABE FALAR DE BEBÊ. Por isso, nada melhor que ter, nessa época da vida, amigas que estejam passando pela mesma situação que você! E aí é que entra a minha história com a Guest Blogger de hoje, Débora Kawano.
Quem conheceu a Débora primeiro foi a minha Mãe, durante um curso feito na Aliança Francesa. As duas já adoravam bater papo quando BAM! veio a notícia de que o Fabrício chegaria dali a 9 meses. Como excelente médica que é, Débora ouviu da Mamãe as dúvidas que eu tinha, e me mandou um email muito carinhoso, cheio de conselhos preciosos. Isso tudo sem mesmo me conhecer pessoalmente!
Nossas trocas de email eram frequentes, mas aumentaram drasticamente depois que BAM! a Débora descobriu que também estava grávida! Juntas, Eu, Débora, e posteriormente, a Mari (Guest Blogger da semana passada), passamos a compartilhar, via email, nossas dúvidas, ansiedades, chateações e expectativas!
Um dos assuntos mais recorrentes nos nossos emails era a questão do PARTO. Vocês já leram aqui sobre a minha experiência com o parto natural na água, na Inglaterra. Aqui no Brasil, vocês já devem saber, a maioria dos partos se dá por cesárea. Diante dessa realidade, que Débora já conhecia por exercer a medicina, minha amiga sabia que a escolha pelo parto normal seria encarada como tudo, menos… normal.
Como vocês, nossa Guest Blogger de hoje: Débora Kawano!

Certamente o nascimento de um filho é um dos momentos mais importantes e celebrados na vida de uma família. É o começo, a abertura da vida, inauguração de infinitas possibilidades, o máximo da energia potencial humana, a saída da segurança do útero, o desprendimento da mãe. Cercadas de expectativas, muitas mulheres desde crianças já sonham com a maternidade. Durante a gestação, a futura mamãe amadurece a ideia e antecipa o grande momento imaginando como será o parto, tendo no seu inventário uma série de dúvidas, conceitos e vontades. Nada mais justo que consiga realizá-los. Não é o que acontece no Brasil.
Campeão de cesáreas, a maioria eletiva (por vontade da própria gestante), ter um parto normal no nosso país é uma batalha. A começar que raros são os obstetras que verdadeiramente fazem parto normal: a maioria até diz que faz, mas na hora “H” acabam conduzindo a paciente para um conveniente parto cirúrgico. Isso acontece porque ninguém vai contestar o especialista, ainda mais em um momento tão delicado, quando nos encontramos emocionalmente envolvidas.
Além disso, compreensivelmente, os médicos que fazem o parto normal não aceitam convênios. Isso porque, em média, um trabalho de parto dura de 9 a 12 horas e precisa ser acompanhado de perto para identificar possíveis riscos e eventual necessidade de reverter para uma cesárea. Daí o famoso aforisma em obstetrícia que diz: “eu já me arrependi de indicar um parto normal, mas nunca uma cesárea”.
Do outro lado, as pacientes gostam da facilidade de marcar data e hora oportuna para o parto, assim não serão pegas de surpresa, “não sentirão” dor, e ainda terão mais facilidade em reunir a família no hospital. Digo “não sentirão” porque não se deve esquecer que a recuperação pós-cirúrgica de abdome dói, sem contar as outras possíveis complicações como hemorragia, infecção, aderência etc…
Forma-se aí um pacto: de um lado, médicos evitam riscos de complicações e processos, e liquidam a situação de modo mais rápido; do outro, mães aproveitam a comodidade do planejamento antecipado e, se inseguras pela inexperiência, optam pelo caminho mais previsível e garantido.
Importante lembrar que ninguém está fazendo apologia a esse ou aquele tipo de parto, o que se defende aqui é apenas o direito da escolha consciente, sem radicalismo… O problema é quando alguém discorda dessa lógica vigente de produção em série, e sai da engrenagem.
Foi o meu caso.
Sou da área da saúde, e de tudo que estudei e experimentei sempre achei que o melhor parto era aquele normal com analgesia, humanizado, respeitando obviamente o pré-suposto básico de ser um momento agradável, experiência inesquecível e feliz para pais e filhos. Assim, logo que engravidei tive de procurar um daqueles obstetras de que falei lá em cima, sabendo que isso implicaria aumento considerável nos gastos. E olha que temos poucas opções, e todos eles com agenda lotada.
Minha grande amiga e doula Rafaela diz que parto normal é que nem maratona, só corre quem está concentrado mentalmente e preparado fisicamente. Foi isso que fiz: nutricionista, ginástica, drenagem linfática, acupuntura, meditação, sessões semanais de fisioterapia com direito a dever de casa diário (abdominais específicos para propiciar o perfect pushing, alongamento perineal e exercícios de consciência corporal), muita leitura, DVD’s e pesquisa na Internet.
Encontrei lindas filmagens como as da Clínica La Primavera, no Equador, e depoimentos intrigantes do Orgasmic Birth®. A Rafa ainda dizia que não bastava ser como uma lutadora de boxe, só forte e definida, tinha de ser como uma ginasta, musculosa e flexível.
E mesmo assim, com tanto preparo, parto “normal” é chamado dessa forma porque tudo tem de estar bem, inclusive aspectos que não dependem da nossa vontade, como posição e peso do bebê, quantidade de liquido amniótico, saúde materna, boa evolução durante o trabalho de parto etc…
Durante o pré-natal, conforme tudo acontecia sem nenhuma intercorrência, sentia dentro de mim que estava autorizada a tentar o parto normal com grandes chances de sucesso.
Daí passei a constatar como as pessoas são preconceituosas e gostam de opinar. As mulheres modernas da nossa sociedade acreditam que perderam a capacidade de dar à luz de modo natural, ignorando a força transformadora da natureza.
Meus colegas arregalavam os olhos quando sabiam da minha intenção, diziam que era louca, que estava colocando minha filha em risco, que deixasse esse negócio “natureba” para os hippies, que não tinha necessidade de sentir dor (como se fosse eu que tivesse inventado as regras do jogo).
Quando o barrigão apareceu e me perguntavam para quando era o bebê, respondia que não sabia porque dependia de quando ia entrar em trabalho de parto. E sempre ouvia uma reprovação, quando não uma história do tipo: “a tia da prima da vizinha do cunhado do meu colega de faculdade foi inventar de ter parto normal e o neném nasceu com paralisia cerebral”. Bem motivador… Isso sem contar os mitos velados que poucas têm coragem de revelar: “você vai ficar larga e com a bexiga baixa” ou “o corte (episiotomia) é pior do que a cicatriz da cesárea, que de tão discreto o biquíni tampa”. Do meio pro fim, pra evitar sofrer apreciação alheia, eu dizia que o parto ia ser na data provável (40 semanas) e desconversava para fugir dos detalhes.
Quando cheguei ao hospital em franco trabalho de parto, meu obstetra ainda não estava lá. Para adiantar, fui ao consultório no pronto-socorro e lá encontrei o plantonista. Quando ele soube que aguardava o parto normal, me solta a seguinte pérola: “eu vou ser bem sincero com você, esse negócio de parto normal é coisa de novela”. Acho que ele estava meio desocupado procurando paciente, só pode…
Foram apenas 6 horas de trabalho de parto, pouco para um primeiro filho, das quais as últimas 2 mais pesadas, sob analgesia. Tudo bem que lá pelas tantas a gente se pergunta “onde fui me meter?” “porque fui inventar esta história de parto normal?” mas esse deslize logo passa com o alívio da contração.
Táticas que me ajudaram bastante foram: ficar embaixo do chuveiro (deixando a água cair bem forte na lombar), ficar sentada na bola de plástico e acionar o mamatens (aparelho vibratório colado nas costas, que mascara a dor). O médico mostrou-se uma excelente escolha, muito competente. Ficou me monitorando todo o tempo, e foi bem acolhedor. Meu marido e a doula estavam lá acompanhando tudo, sempre dando força.
No fim das contas, posso dizer que vivi a experiência de maternidade que estava buscando: senti-me verdadeiramente atuante no processo do nascimento, estivemos juntinhas se ajudando até ela nascer. Há dor, sim, pra mim classificada como excruciante, porém sem sofrimento. Cada contração me aproximava da possibilidade de recebê-la no mundo. Era meio dia e meia, tocava MPB baixinho, à meia luz. Ela nasceu tão vigorosa, rosinha e chorando, que veio imediatamente para os meus braços. Só depois a pediatra a levou pra examinar, medicar, pesar e medir. Ela mamou na sala de parto conforme preconiza a Organização Mundial de Saúde. Fiquei maravilhada com o milagre da vida, contemplando sua perfeição.

Não precisa nem dizer que minha recuperação foi maravilhosa. Mobilidade e força garantidas, dieta livre, estava de alta na manhã seguinte. Para as mais desconfiadas: não, não teve corte, apenas uns pontinhos reabsorvíveis de mucosa. Também voltei ao meu peso antigo em pouco tempo, e a bexiga continua lá no mesmo lugar, sem me fazer passar vergonha.
E eu repetiria tudo de novo…

Muito antes de engravidar, até mesmo antes de me casar, eu tinha uma certeza na vida: seria mãe de menina, só de menina. Era tão grande a convicção que não pensava duas vezes ao deparar com aquelas roupinhas cor-de-rosa… comprava tudo! Minhas amigas achavam aquilo tudo muito engraçado, e sempre diziam: “Só falta você ter um menino!”
A única pessoa que me entendia era uma quase xará, a minha amiga Mariane. Tanta compreensão tem um porquê. A Mari, ao contrário de mim, tinha certeza que seria mãe de menino. E ao longo dos últimos 11 anos (ui!), tive o privilégio de ver essa minha amiga crescer, se casar… até conhecer o maior amor do mundo.
O desafio que propus à Mari, vocês já devem até saber… Afinal de contas, como é viver entre laços e bonecas, quando se sonhava com carrinhos e bolas de futebol?
Com vocês, a nossa Guest Blogger de hoje: Mariane Oliveira!

Eu tenho, muito presentes na minha vida, um avô, pai, três irmãos, quatro tios, um marido. Tenho um grupo bem unido de amigos da faculdade, onde somos duas mulheres e quatro homens. Claro, também tenho mãe, tias e amigas, mas desde sempre a presença masculina sempre foi muito mais forte e numerosa em minha vida.
Não acho que eu seja masculinizada, mas super feminina também não sou: não gosto de maquiagem, não sou delicada e falo muito palavrão. Por isso, quando a ideia de ser mãe começou a se fortalecer na minha cabeça e no meu coração, foi muito natural para mim a preferência declarada: menino!
Eu nem chegava a cogitar nomes de meninas… e sempre pensei em muitos nomes de menino. Assim que me casei, me deu um siricutico e passei a comprar e guardar roupinhas de bebê — tudo muito azul e marrom para o meu futuro filho.
Um mês antes de descobrir que estava grávida, passei uma noite com a filha de uma prima, e correu um pensamento pela minha cabeça que talvez não fosse tão ruim assim ser mãe de menina, mas nem levei a sério.
Engravidei rápido, em agosto de 2010, apenas um mês depois de tirar o DIU, e como segui a famosa tabela chinesa (www.universodobebe.com.br/site/tabela.php) tinha certeza que esperava um menino. Acreditei em tudo quanto foi crendice, desde formato de barriga até simpatia da aliança girando na mão. Eu estava grávida de menino sim, e ai de quem falasse o contrário!
Até o dia da ecografia das 12 semanas, quando a médica arriscou um “acho que vem menina por aí, porque o osso tal está no formato tal e pelos meus estudos e estatísticas, é menina, mas não é certeza, espera a próxima ecografia”. Eu só me lembro de ter ouvido “blábláblá, menina, blábláblá, com certeza”. Não esperei nem um dia para correr ao Sabin mais próximo e morrer em 3x no cartão: eu precisava fazer a sexagem fetal.
A resposta saiu em três dias: FEMININO. Realmente estava esperando uma menina. “Como assim, eu sou tosca demais, como vou educar essa garota? Meninas sofrem mais, como eu vou protegê-la, como vou evitar que ela tenha minhas heranças (depilação a cada 10 dias, gente, vocês sabem o que é isso?) — foi a primeira coisa que pensei. Depois, tive pena dela (podia ter escolhido uma mãe mais mulherzinha, hein, bebê?!) E fiquei uns 2 dias em choque, devo confessar…

É bom deixar claro que não é que eu tenha rejeitado a minha filha, só não tinha imaginado… Afinal, tinha construído um mundo materno onde tudo era azul. Mas abracei o desafio de desconstruir tudo e me embrenhar nesse mundo cheio de laçarotes! E a cada ecografia ia curtindo mais a ideia de ter uma menininha, me apaixonando por ela, pensando que ela poderia ser a melhor amiga que eu já tive.
Júlia nasceu dia 13 de maio de 2011. Na nossa primeira madrugada juntas, enquanto o pai dela dormia no sofá do quarto da maternidade e ela mamava no meu peito, olhei para ela e entendi tudo! Eu nunca poderia ter tido um filho, porque na verdade meu coração sempre foi dela! Só que precisei viver 33 anos e ter uma ideia equivocada de preferência pra realizar isso.
E vejam bem: ela é tão maravilhosa que em apenas quatro meses já mudou todo o meu comportamento… e o benefício é todo meu! É por ela que estou tentando falar menos palavrão, ser mais delicada e mais suave, e isso me faz uma pessoa melhor. Além disso, depois que ela nasceu, eu amo e respeito a minha própria mãe muito mais. Hoje, até acho que nasci para ser mãe de menina!
Nunca pensei que diria isso, mas meu mundo está literalmente cor de rosa e eu ADORO!

Fotos: Carol Caminha
Tem novidade aqui no Mundo de Fabrício, gente! A partir de hoje, todas as segundas-feiras, teremos um Guest Blogger, que emoção! Guest Blogger, Mari? O que é isso?
Explico. São pessoas que, convidadas por mim, escreverão aqui sobre um determinado tema relacionado à maternidade. A ideia surgiu quando percebi que, apesar de todo mundo ter carregado uma barriga, cada mãe tem uma percepção diferente sobre esse momento tão importante da vida. É aquela coisa… Enquanto uma devora livros e mais livros durante a gravidez, a outra prefere seguir o instinto quando o momento chegar. Isso sem falar nos assuntos mais polêmicos, como parto, amamentação, deixar ou não o filho dormir na cama… Como acredito que não existam REGRAS quando o assunto é a relação mãe-filho, nada mais democrático que ouvir diferentes opiniões sobre esses tópicos, concordam?
Para inaugurar esta seção, convidei a jornalista Rachel Zaroni a escrever sobre as mudanças na vida com a chegada da maternidade. Carioca radicada em Sampa, Rachel (nós pronunciamos seu nome como se fala em inglês) é prima minha de terceiro grau, mas às vezes acho que somos irmãs =). Rach é mãe do Liam, um menino lindo e gordinho que acaba de completar 6 meses de vida. Dessas pessoas que não deveriam fazer mais nada na vida além de escrever, a prima me mandou um texto primoroso: “Sobre a Maternidade e seus Clichês…”
Tenho certeza de que vocês vão adorar. Com vocês, nossa Guest Blogger de hoje: Rachel Zaroni!

“Vai pra maternidade, que eu vou fazer seu parto hoje”. E foi aí, só aí, depois de minha obstetra dizer isso, que começou a me cair a ficha de que eu ia ser mãe. E começou também o meu pânico.
Tudo bem que eu já estava grávida há 37 semanas, tempo suficiente pra saber disso e me acostumar com a ideia, mas tudo me parecia ainda meio abstrato, sabe? Ao contrário de muitas mães que ficam ansiosas pela hora do parto (e talvez por isso, para elas acabe demorando mais), eu torcia pro meu bebê nascer de 40, 41 semanas (e talvez por isso, ele tenha se antecipado três semanas). É claro que eu queria ver a carinha dele, apertar e viver todas as experiências maravilhosas que eu ouvia no relato de outras mães. Mas tinha medo. Muito. De tudo. Medo de que minha vida nunca mais fosse a mesma. E realmente não foi.
Para começo de conversa, sinceramente, achei que não ia dar conta. Nunca tive que cuidar de ninguém antes, além de mim mesma. Sou filha única, morei sozinha durante muitos anos, nunca tive sobrinhos, nem ao menos um bicho de estimação (tive alguns peixes e um caracol, mas prefiro nem contabilizar, já que matei todos sem querer). Planta comigo não dura dois dias porque ou eu me esqueço de aguar ou coloco água demais. E tô longe de ser uma dona de casa estilo Amélia, meu marido que o diga. Daí a minha insegurança em ter que cuidar de uma criaturinha frágil e totalmente dependente de mim. Achei que teria que contratar uma enfermeira, que ficaria com medo de ficar sozinha em casa com o bebê, que teria nojo de trocar fralda, que não ia conseguir ser uma boa mãe. Porque pra mim, a ideia de mãe é uma pessoa completamente abnegada, que coloca o filho acima de todas as coisas, inclusive, e principalmente, de si mesma. E foi ali, quando a médica proferiu aquelas palavras que me bateu a dúvida: será que estou mesmo preparada?
Minha primeira reação foi responder: “Não, doutora, você não está entendendo, preciso ir pra empresa, tenho muita coisa pra terminar…” Entendam, essa reação não foi por amor ao trabalho, mas sim porque naquele momento eu tinha uma necessidade urgente de me sentir no controle de novo, fazendo algo conhecido. A doutora então me trouxe de volta à realidade: “Você é que não está entendendo. Seu filho vai nascer hoje”.
Minha adrenalina subiu e eu fiquei aceleradíssima, resolvendo mil coisas ao mesmo tempo. Vai à confeitaria, adianta os bem-nascidos de lembrancinhas, vai pra casa, arruma tudo, almoça, senta no computador para uma última apresentação de power point e e-mails de trabalho, corre pro hospital, chama o cabeleireiro pra fazer uma escova (juro)… Só consegui me acalmar um pouco quando chegou a anestesista e me deu um sossega leão. Daí em diante foi tudo passando meio rápido, meio despercebido, meio que como num sonho, como se eu estivesse olhando aquilo de fora, em vez de estar vivendo…
Foi então que eu ouvi o chorinho do meu filho pela primeira vez. Minutos depois, a médica o colocou do meu lado e eu passei a mão na cabecinha dele e disse: “Oi Liam, eu sou a sua mãe”. Ele parou de chorar na mesma hora porque me reconheceu, pela voz, pelo cheiro, pelo toque. Pronto. Se essa história algum dia for contada num filme (espero que escalem a Kate Winslet para me representar), esse será o momento de epifania da personagem, com direito a câmera lenta, gelo seco, trilha sonora para fazer o cinema inteiro chorar. Foi nesse momento, alguns minutos depois dele sair da minha barriga, que virei mãe. E eu, que odeio clichês, descobri que, quando se trata de maternidade, eles são todos verdadeiros. Começando por “toda vez que nasce um bebê, nasce também uma mãe”.

De lá para cá, seis meses se passaram e já me sinto uma veterana. Olhando para trás, vejo que todos aqueles medos em relação à mudança não tinham o menor fundamento. Sim, realmente a vida mudou, mas para muito melhor (segundo clichê, também verdadeiro…). Ok, não acordo mais às 14h no domingo, nem passo mais as tardes de sábado bebendo cerveja. Agora toda saída noturna, ida ao cinema ou viagem de final de semana tem que ser pensada com uma certa antecedência. Até mesmo uma simples ida ao shopping, já que é tanta coisa para colocar na bolsa… Isso sem contar os outros ônus da maternidade, como as idas ao pronto-socorro, as festinhas infantis e, last but not least, a culpa, que é um sentimento que nunca mais larga a gente. É culpa por tudo: por deixar na creche, por não pegar no colo quando ele tá fazendo manha, por colocar Rinossoro e o bichinho se esgoelar de chorar…
Outro dia, sangrou um pouquinho quando eu cortei a unha dele e eu só faltei me chicotear com uma cinta de silício.
Mas, poxa, os bônus são tão, mas tão maiores… Para começar, praticamente virei outra pessoa, também muito melhor (clichêzão de novo, me perdoem). Já não sou mais tão preguiçosa e acordo mais cedo pra poder brincar um pouco com ele antes do trabalho. Nem tão fresca, pois troco fralda com a maior destreza, mesmo levando uns jatos de xixi na cara de vez em quando (quem tem menino, sabe…). Nem tão medrosa, porque mesmo no começo, quando a gente fica um pouco insegura, já tinha me esquecido daquela história de enfermeira e me sentia capaz de resolver os desafios que apareciam. Nem tão atrapalhada, porque levo ele para tudo que é canto e é um tal de carregar bebê, bolsa, bolsa do bebê, brinquedo, cobertor, carrinho, mamadeira… Até meu preparo físico melhorou, já que eu, antes sedentária convicta, agora carrego um pacotinho de mais de 8 quilos pra cima e pra baixo o tempo inteiro (mas é claro que cansa, por isso recomendo às amigas que não esperem para ter filho muito tarde).
Descobri ainda que a vida conjugal melhora, ao contrário do que eu pensava (outro medo que eu tinha), porque felizmente meu marido é um paizão e a gente fica mais unido, sabendo que somos uma família cheia de amor. E agora que voltei a trabalhar, apesar de todo o sofrimento inicial de ter que deixar meu filho na creche, descobri que sou capaz de conciliar as duas coisas e que, pasmem, as pessoas na empresa sentiram minha falta enquanto eu estive longe (outro medo que eu tinha era o de perceberem que eu era facilmente substituível). Hoje trabalho com mais foco, para poder chegar logo em casa e receber um sorrisão do meu filho, o que também me faz enxergar as coisas do tamanho que elas realmente são, me policiando para não dar importância aos problemas insignificantes. Virei até uma pessoa mais solidária, principalmente em relação a qualquer dor de outras mães. Outro dia uma amiga estava reclamando que a sogra fica atrás do namorado dela o tempo todo e nem me reconheci quando soltei um “Coitadaaaaa, ela é mãe deleeee, quer que ele fique longe da mãe, tá loucaaaa?”.
Justamente o que eu pensei que nunca ia conseguir, aconteceu. Eu, que sempre fui tão autocentrada, tenho agora outra prioridade, muito acima de mim: o meu filho, aquele serzinho lindo que parou de chorar só porque ficou perto de mim, naquele momento que será lembrado com emoção para sempre, por mim e por todos os fãs de Kate.
Se sou uma boa mãe pro Liam, só ele poderá dizer. Mas afirmo com tranquilidade que dou tudo de mim para ser a melhor que posso ser. Para que ele seja um cara do bem, inteligente, respeitoso, solidário e, principalmente, feliz.
E que venham as festinhas infantis!

Fotos: Carol Caminha