
Deparei hoje com a foto acima (euzinha aqui, lendo o meu livro mais querido) e logo me lembrei de uma conversa que tive com um amigo aí do Brasil. Ele é pai, e na época dizia com o maior orgulho que estava montando uma super biblioteca para a filha. Não sei quantos livros, de não sei quantas coleções, um investimento alto, segundo ele.
Mais um pouco de bate-papo, percebi que toda essa montanha de livros era basicamente constituída de uma literatura elaborada, coisa de adulto, sabe? Aí perguntei a ele: e os livros de historinha? E os clássicos que todo mundo deve ler quando criança? Bobagem, leitura fraca, ele me disse.
É óbvio que não vou entrar na discussão do que é certo ou errado, até porque cada um faz o que acha melhor para os filhos… Mas acredito que a relação entre crianças e livros não deve esperar a idade adulta, nem pular etapas. Afinal, você conhece algum adulto que AME ler e que nunca tenha lido quando criança? Bom, nem eu.
Fabrício era bebezinho quando ganhou seu primeiro livro, daqueles de plástico, com os quais as crainças adoram brincar na hora do banho. Agora, já estamos em outra fase. E o filhote continua crescendo na companhia dos livros. A relação, no entanto, está bem mais “intensa”, hahaha! Vejam só…

Isso mesmo, Fabrício virou um devorador oficial de livros. E quando vi o estado desse coitado (o livro), jogado entre os brinquedos do cercadinho, fui tomada de uma alegria IMENSA…

Isso porque a destruição dos livros do Fabrício mostra que o filhote gasta tempo manuseando cada um deles, sentindo o cheiro das páginas, literalmente provando e tomando gosto pela leitura, que agora se restringe a figuras…

Lá em casa, todo mundo é assim como o Fabrício, “devorador” de livros… Principalmente o Vovô Caminha, que às vezes chega a ler 80 livros por ano (!!!!) Para incentivar o filhote, compramos livros desses bem baratinhos e deixamos que ele se divirta: vale rasgar, colocar na boca, arrancar a capa… A educação virá com o tempo, claro.
Enquanto isso, guardamos aquelas edições mais especiais na prateleira. Porque um dia, eu espero, Fabrício vai entender que “devorar um livro” não é expressão a ser tomada assim, tão ao pé da letra… =)
Love,
Mommy.
Drummond disse, certa vez, sobre a obra-prima do amigo Ziraldo:
— Infância verdadeira é isso que ele conta em figura e verso gostosos que nem torta de chocolate. Quem viveu assim, sabe. E quem não viveu… que pena!

Ontem estava relendo O Menino Maluquinho, esse livro que tanto me lembra a infância. Acabei me emocionando tanto… Sabe como são as grávidas, né? Fabrício nem nasceu e já tem um acervo de livros de dar inveja. Um investimento que fazemos questão de fazer, pois tanto eu como Alexandre sabemos o valor que tem a leitura.
Lá em casa, sempre tivemos a sorte de contar com uma rica biblioteca, isso desde muito cedo. Até falei sobre o assunto outro dia, na coluna que escrevo semanalmente para o Blog do Noblat. Entre os tantos autores que costumávamos ler, Ziraldo é, para mim, dos mais brilhantes. Além de O Menino Maluquinho (1980), ele também é autor de Flicts (1969), que relata a história de uma cor que não se encontrava no mundo, e de História de Dois Amores (1985), em parceria com Drummond. São só alguns exemplos que provam como a nossa literatura infantil é rica. E olha que estamos falando de apenas um autor, dentro de um universo de talentos a perder de vista…
Em uma recente entrevista ao Diário de Pernambuco, Ziraldo confessou que fazer livros para crianças é a sua maior paixão. E quando perguntado sobre o que era preciso para estimular a leitura entre as crianças, respondeu:
— Ler com eles. Discuta o livro que está lendo, leve-os para museus, livrarias, encha a casa de livros. Você não sabe que papo bom têm as crianças.
Ele tem razão. Não me lembro de uma vez sequer que Papai ou Mamãe tenham nos obrigado a ler. Viver entre livros era natural para nós. Os incentivos eram muitos, e nada “forçados”. Um exemplo? Dar boa noite aos nossos pais e encontrá-los deitados lado a lado, cada um com seu livro. Sem falar no privilégio que tínhamos em conhecer pessoalmente esses monstros da Literatura. Ganhei versinhos de Drummond aos quatro anos de idade; Carol foi além, e é tema de um poema do Itabirano. E quando o telefone lá de casa tocava tendo do outro lado da linha o “Tio Fernando”, como chamávamos o inesquecível Fernando Sabino? Muita sorte, né?
Ziraldo nós conhecemos por volta de 1987, em Teresina, quando o autor esteve presente no Salão de Humor do Piauí. Tenho o maior orgulho de já ter sentado no colo dele. Agora é batalhar por um encontro do meu filhote com o autor. Quero o nosso exemplar de O Menino Maluquinho devidamente autografado por esse homem que tanto orgulha a nossa Literatura Brasileira!

Não encontrei a minha foto com o Ziraldo, mas aí vocês podem ver a Tia Carol, aos 4 anos de idade, com o ídolo.
Love,
Mommy.